Ao sair da adolescência e entrar na vida adulta, é muito comum sentir a famosa crise dos 20 e poucos anos. Como o próprio nome sugere, ela ocorre entre os 20 e 30 anos e representa uma fase transicional importante, repleta de desafios emocionais, sociais e profissionais.
Trata-se de um período marcado por incertezas, pressão social, questionamentos existenciais e desafios relacionados à identidade pessoal e profissional. Segundo um estudo publicado pela psicóloga britânica Dr. Oliver Robinson, cerca de 70% dos jovens adultos entre 20 e 30 anos relatam ter passado por uma fase de crise significativa relacionada a esses fatores.
Por que essa crise acontece?
Nessa fase, há uma grande expectativa social e interna para que os jovens adultos “tenham tudo resolvido”: uma carreira estável, relacionamentos sólidos, independência financeira e uma vida emocional equilibrada. No entanto, a realidade costuma ser muito diferente. O mercado de trabalho está cada vez mais competitivo, a pressão por sucesso é constante e as redes sociais amplificam a comparação com os outros.
De acordo com a perspectiva da Psicologia Comportamental, essa crise é intensificada por padrões de comportamento adquiridos ao longo da vida, que muitas vezes resultam em autossabotagem, medos irracionais e crenças limitantes. É comum que jovens adultos fiquem paralisados diante de decisões importantes, como mudar de carreira, terminar um relacionamento ou se mudar para outra cidade.
O Impacto nos Relacionamentos e na Saúde Mental
Finalizando o processo de desenvolvimento da própria personalidade e iniciando a construção de uma nova rede de apoio, muitos jovens adultos enfrentam conflitos com a família de origem. Questões não resolvidas, traumas antigos e expectativas parentais podem se tornar fontes de estresse, ansiedade e estagnação. É importante ressignificar os laços familiares, permitindo a construção de novos laços afetivos saudáveis.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos como depressão, ansiedade e burnout afetam cerca de 15% dos jovens adultos globalmente. A busca por independência emocional e financeira, combinada com relações afetivas instáveis, pode criar um ciclo de frustração e exaustão mental.
Como a Terapia Comportamental Pode Ajudar?
O processo terapêutico, especialmente sob a perspectiva comportamental, oferece ferramentas práticas e eficazes para enfrentar essa fase com mais segurança. Entre os principais benefícios da terapia estão:
- Autoconhecimento: Identificar padrões de pensamento e comportamento que podem estar impedindo o progresso.
- Metas Realistas: Aprender a estabelecer metas alcançáveis e a celebrar pequenas conquistas.
- Gestão Emocional: Desenvolver habilidades para lidar com emoções intensas, como ansiedade e frustração.
- Redução da Comparação Social: Trabalhar a autocompaixão e reduzir a necessidade de comparação com outras pessoas.
- Estratégias Preventivas: A terapia pode atuar como prevenção contra transtornos psicológicos mais graves.
Uma Oportunidade de Crescimento
A crise dos 20 e poucos anos pode ser dolorosa, mas também é uma janela de oportunidade para crescimento pessoal. Buscar ajuda profissional não é um sinal de fraqueza, mas sim um ato de coragem e autocuidado.
Como psicóloga comportamental, meu papel é acolher você nesse momento, oferecer um espaço seguro para suas reflexões e fornecer ferramentas práticas para que você possa superar essa fase com mais leveza e confiança. Não espere até que tudo pareça insustentável. A terapia pode ser o primeiro passo para uma vida mais equilibrada e satisfatória.